segunda-feira, 1 de novembro de 2010

SENTIR

SENTIR




Toda forma de amor

É um sonho possível

No abstrato substantivo do sentir

 
O que a alma, o corpo e os olhos fazem

É nutrir de aurora

A emoção

Que de outrora trazem

 

 
A alma guarda o gosto na memória...

Sacraliza!

O corpo escandaliza o agora...

Realiza!

Os olhos encontram o amanhã além das horas...

Em buscas eternizam...

Vidas almejam vidas...

Amores não se saciam...

 
O que comanda o tempo

E concretiza o substantivo

Do amor

É a dimensão louca

Absurda

De seu único infinito beijo
 
(IMAGENS GOOGLE)

domingo, 17 de outubro de 2010

INSOLVÊNCIA


INSOLVÊNCIAS

                                         


Quando a tua palavra

Me procura,

Uma insolvência

Se instala na voz...

 
Traz um embargo

Uma saudade risonha...

Uma tristeza nunca dita...

E uma inadmissível ternura ...

 
A tua palavra e a minha

não se pronunciam...

Mordem a boca

Torturam

Castigam


 
O sentimento

É sempre...

Muito, muito maior

Que a compreensão...

 
Enquanto permaneço

Sem o saber de seu coração,

Nossas palavras que não se confessam

Pecam o silêncio

De um beijo

Jamais correspondido.

domingo, 3 de outubro de 2010

VENHA ME VER, VIDA MINHA

Trago hoje um dueto com  o poeta Walter de Arruda . Embora nossos textos  aqui postados sejam de épocas distintas, parecem responder um ao outro... Segredos da poesia....


VENHA ME VER
                      VIDA MINHA



Walter de Arruda e Carmem Teresa Elias



Venha, venha sim...

Um dia me ver

Venha sim...

 
Não venha cedo

Porque não estarei preparado...

Nem tarde

Porque o tempo

Apagará tua saudade...

 
Venha , venha sim...

Um dia me ver

Venha sim...

 
Venha na hora

Necessária

Quando teu olhar

Percorre forte

O caminho da saudade...

 
Venha, venha sim

Venha...

Venha sim...Um dia me ver...

 
Não vestida de mar

Porque ele é salgado

E faz enjoar...

Nem vestida de azul

Porque és o próprio céu...

 
Venha

Venha sim

Se puder

Vestida de Luz...


Mas venha

Quando o meu coração

Estiver doendo

De tanta vontade de te ver....

 
Venha sim

Venha um dia me ver

Venha sim...

 
Não vestida de preto

Porque lembra infinito

E não vou conseguir

Esperar tanto assim

Dê um tempo

Mas

Venha logo

Venha sim

Vestida de branco, de ar...

Vestida de Amor...

 
Venha

Venha sim

Conter o arrepío

Que tua ausencia

Faz acontecer...

Tua presença sentida

Que não é mais... Que eu...

 
Venha ...

Venha sim...




Em meu sonho...

Venha

Venha... Sim...



(Poesias de Walter de Arruda..1972)



VIDA MINHA



A eternidade tem sempre um novo amanhecer

 
Se eu tiver de te encontrar

Então peço que, logo, me venhas

E que assim o seja

Em uma manhã sem máculas

E sem qualquer juramento...

 
Mas não me venhas

Desmanchando as nuvens...

Entre rosas, azúis ou lilases, tinge-as

Fazendo algazarras entre os vestidos noturnos

Enquanto o alvorecer

Despe as estrelas

E os novos espiritos...

 
Se eu tiver de te encontrar

Serei a nuvem

Entreaberta ao teu sorriso

Cheia de rubor ante à timidez

Diurna da Luz...

 
Serei a mulher

Isenta de milagres... Que aguarda

Suave a tua vinda

Desde a primeira manhã

DA ETERNIDADE...







                                           (POESIA POR CARMEM TERESA ELIAS - 2010)




domingo, 12 de setembro de 2010

LEITURAS

LEITURA




















Há uma palavra perdida

No interior do meu olhar...


Traz uma súplica

De amor

Embargada...

Um significado

Elementar

À compreensão do mundo


Está lá

Na impressão dolorida

Do nervo ótico

À espera irrompida

Dos dicionários















Sem definição

É uma única saudade

Que me prende

A todas as outras


É um verso único

Que se compõe

Em todos os outros


É uma forma absurda

De sentir

A outra palavra

Que também ficou perdida

No interior do seu olhar...

domingo, 5 de setembro de 2010

CATEDRAL AZUL

CATEDRAL AZUL


  Deixo hoje um texto em homenagem a Petrópolis, minha 'cidade escolhida'.


CATEDRAL AZUL
      ( Para a Catedral de São Pedro Alcântara, Catedral de Petrópolis, que me desperta com seus sinos e ilumina da magia minhas noites serranas)




Minha Catedral
rebatiza a noite
de 'Azul'...
Como mãos postas sobre a cidade
a torre mística ora



A névoa deita-se sobre os telhados
estendida em seus próprios lençóis


Minha cidade dorme
Abençoada


Valsam as cores ao vento
Bailam as árvores embalando o Templo


E os cavalos libertos das carruagens
voam sonhos alados
até os campanários


O sino proclama o açoite


Templários e cavaleiros
abrem as portas do paraíso


A Catedral onírica
flutua no espelho do rio
Seu leito comunga do rito


O Azul abarca
a água, a terra e o céu


Um paraíso pagão
sacraliza a noite em festa


Na tela pintada
Deus admira
as mãos dos Homens
que iluminam a Catedral.

domingo, 29 de agosto de 2010

O PALHAÇO

                                                          Poema inspirado no  quadro "O Palhaço "de Auguste Renoir



Voce acha

Que minha cara

É engraçada ...

Meu cabelo

arrepiado ...

Minhas vestes,

exageradas ?


Olhe,

Olhe bem ...

Minha pele é pálida...
Meus lábios sangram sedentos  ...
Meus dentes colhem sementes de fome ...


E as borboletas

Não enfeitam minhas vestes,

Não ...

Todas elas

Morreram
sem jamais sairem
Do casulo que sou eu
no picadeiro doentio do ator .

" Música Maestro ! "

Da encenação da Vida

Eu detenho

A batuta dos risos

E o arco do violiono

Que Fazem com que você ria

Da própria dor

Da própria morte ...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O HOMEM




















 
Ele foi feito de barro

E um paraíso lhe foi dado.

Ele foi feito de amor

Mas semeou pela terra a dor.


Quando pequena eu não o via....

Mas soube que ele chegou

Quando o canto dos pássaros

Um dia silenciou...

E meu choro de criança jamais se calou...


Quando cresci, eu já o sentia.

Seus movimentos encobriam meus passos...

Até o céu havia perdido o seu espaço.


A fome engolia a fé...

A sede sugava a espera...


Faltou-me até mesmo o tempo

e eu não consegui alcançar a criatura!


Quando parti, porém , percebi

as minhas mãos manchadas de culpa.

Do mundo sobrara apenas o barro,

esmagado entre as dobras dos meus dedos...


O monstro, senhor, o monstro sem amor

também era eu mesma:

éramos todos...

E o meu erro foi não perceber

que junto a mim

também sofria uma humanidade inteira!!!!

domingo, 8 de agosto de 2010

INTERPRETAÇÃO

        INTERPRETAÇÃO



 
















Entre a penumbra das palavras
e a luz deusa da sua leitura
minha poesia revela toda uma vida...


Assim, queria ofertar-lhe um poema
No recebimento de seus olhos
Compor -me e Ser.

sábado, 31 de julho de 2010

O POETA E A POESIA


Fui exposto
Ao teu sofrer...
Às tuas mãos a escrever...

Com olhos cerrados
Davas a existência às palavras...

Eu não via o que miravas
E tua mensagem, não compreendia ...

Porém sentia
A dor de tuas mãos
A escrever
Sem pausa...
Sem descanso ...
Sem perdão por si mesmo...

Escrevias com os olhos cerrados
E somente as palavras
Sabiam o que tu miravas...
Só elas
Choravam tua melancolia
Teu desespero
Teu movimento incessante

Eras a própria dor a escrever
O próprio amor a sofrer...

E, agora, sem perceber, sou eu
O teu amor
E tua dor...

Composto
Exposto
Escrito
Sou teu Poema
Vivo !
Sou o cerne de todo o existir
Sobre o papel
E sob minha pele

domingo, 18 de julho de 2010

ESSE MAR QUE ME BANHA






Esse mar
Que me banha e me salga
Não é mais só o meu...

Vem de longe...
Trazendo talvez uma lágrima
Um sorriso... um poema...
Vidas e segredos de alguma outra praia.

Vem me banhar
Da solidão despovoada das ilhas
Da angústia das almas náufragas na vida
Da mágoa da ostra por sua pérola ferida...




Vem de longe
De um passado anterior a mim
Vem me banhar
Da memória molhada do Tempo




Vem me trazendo a vida
Em suas ondas como quanta
Buscando meu toque, meu olhar,
Para a outras praias também me levar.




Essa história imensa me abarca
Um infinito clama por minha alma
E meu sonho se desfaz em grão de areia...

(IMAGENS GOOGLE)

sábado, 17 de julho de 2010

A CRIANÇA E O CASULO



Não chores, minha criança,
Pelo mar que desmancha
Teus passos pela praia...
Não adianta querer demarcar
Os contornos rígidos das caminhadas.
A vida não se trilha com um mapa:
Nela, a Verdade voa
Com asas metamorfoseadas...


Todos os percursos que trilhamos
Acumulam areias revoltas
No corpo íntimo do Tempo.
Todos os percursos
Nos conduzem,
Indistintamente,
Ao encontro dos nossos vesperais...
Quando as realidades nítidas
Se diluem
Na centelha única
Dos crepúsculos.


Um dia, ao olhar para trás,
Ao fim de tua jornada, verás
Que de nós não sobra quase nada:

Como anjos,
Saímos crianças
Da neblina arrastada do nosso despertar:
Como vultos da manhã ... nascemos...
Perseguindo o Sol
Que nos transforma
Pouco a pouco
Em idades.


Um dia,
Como homens,
Entramos na noite
Que, de mãos dadas com o alvorecer,
Nos aguarda
Para novamente
Qual anjos
Nos receber.


A vida é um simples sonho da Inexistência...
Os dias são simples mutações da consciência...
Em nada vencem a eternidade que nos precede
E nem a outra que nos sucede...


Por isso, não chores, minha crinça...
Tuas lágrimas tecem tranças em torno de ti,
Tirando-te a leveza de asas
Em teus voos pelas idades...
O mundo por onde pisas
É apenas a dor do corpo
Fechando-te no casulo
E preparando-te para a vida.


quarta-feira, 14 de julho de 2010

TELA DE ARAME

TELA DE ARAME





Da janela do meu quarto
Vendo a chuva deslizar
Pelas cercas do quintal,
Encantei-me com as gotas
Que presas ao arame
Desciam devagar
No zig-zag do traçado.
Fiquei a pensar que algumas pessoas,
Como pingos mais intensos,
Se projetam logo aos seus destinos,
Enquanto outras batalham tanto,
Indo e vindo pelas telas dos seus dias.


Reparei que as gotas em queda certeira
Se perdem sem nitidez...
Como um véu, desaparecem...
Sem paisagem e nem vontade.


Já as outras, bem mais raras,
Traçam luzes prateadas
Nas cercas que antes pareciam apenas
Marcar limites da liberdade.


Então fechei a janela descansada,
Feliz por não ser dessa multidão tão apressada,
Pois, ao invés de ir correndo ao fim dos rumos
O que eu quero de verdade
É encantar-me com as dificuldades
Que me prendem junto às grades
Que, às vezes, margeiam a felicidade.


AS FLORES DA SAUDADE











Em miúdos toque...
Em suave aproximação...
Pequeninas gotas repousam silenciosas
Em minha janela.
Tímidas, fazem-me convites
E provocam despertares inconscientes.

Chove bonito...
Chove em paz...
Lá fora, um brilho de verniz
Emana da paisagem.
A catedral, o rio,
Os casarões adormecidos,
Os morros floridos por árvores roxas...
Tudo
Resplandece.
As flores da Quaresma
E até mesmo os telhados velhos
Cintilam úmidos
Revestidos de súbita mocidade.


Os sentimentos, as cores, a natureza, as flores,
Às vezes, se combinam.
Há flores que não comportam o peso das gotas,
Vencidas...
Trêmulas...
Deixam escorrer por suas pontas
Suas muitas águas acumuladas.

As flores têm cor de saudade...
A chuva tem luz de novas idades,
E os meus olhos, comovidos,
Se desmancham diante dessa fragilidade.

Não sei se chove a chuva
Ou se chove eu mesma.
Há sentimentos que chegam também de mansinho.
Chegam bonitos...
Chegam em paz...

Consola-me saber
Que assim como as flores
Despencam chovidas da Quaresma ,
A Saudade que hoje choramos
Também se vai,
Aos poucos, desmanchando-se pelos dias.
E os amores, os remorsos, o abandono
Sutilmentese despreendem das dores
E cedem passagem
A outras primaveras.













Pela manhã,
O sino da igreja
Anuncia um novo dia
E as pessoas
Caminham à margem do rio,
Pisoteando, sem perceber, as pétalas roxas



Esquecidas pelas ruas de suas vidas.
( A P.R.T, in memorium, eterno anjo sobre a minha poesia)
Primeiro poema meu a ser premiado em concursos e publicado em três antologias.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

ALÉM DO HORIZONTE


Ela quis ir à lagoa...
Pisar areia
Ver os barcos
numa manhã clara
de sol, árvores e sombras...


E ali sentada
contemplando a paisagem
não sei bem que pensamentos lhe ocorriam
nem em que devaneios partia
e recuei com respeito
para não ofender sua paz.



Era um quadro delicado
Na areia branca, na água mansa, nos barcos ancorados
e até mesmo nela
tudo era mágico
etéreo
harmônico
suave...



Assim passaram-se horas
de um contemplar calado
que eu nunca soube explicar...


De súbito, como uma palavra que aprende a ser falada,
Ela se ergueu,
soltou as cordas de um barco
como quem desfaz um mero laço.
Despreendidamente, ele flutuou,
lentamente,
rumo ao canal
ao encontro do mar.



Na areia branca, a moça de branco
via a vela branca se afastar...
entre o infinito azul do mar
entre o infinito azul do ar
seguindo horizontes
e algum segredo indescritível...


Eu a vi em um disfarce
lavar sua lágrima
nas águas salgadas da lagoa
como quem oferece à distância
um fragmento perdido
ou um elo indivisível...



E então minha alma voltou sorrindo para mim
tão plena, tão lírica
sem mais nada falar
e sem nunca mais, lá, voltar,
feliz por deixar seu verso
navegar livre e tranquilo
nas águas profundas da inspiração...



( Meu coração nunca abadonou aquela menina. E enquanto eu durmo profundamente em noites enluaradas, os pescadores dizem ouvir uma menina a chorar quando as águas da lagoa inundam o mar)