segunda-feira, 12 de julho de 2010

ALÉM DO HORIZONTE


Ela quis ir à lagoa...
Pisar areia
Ver os barcos
numa manhã clara
de sol, árvores e sombras...


E ali sentada
contemplando a paisagem
não sei bem que pensamentos lhe ocorriam
nem em que devaneios partia
e recuei com respeito
para não ofender sua paz.



Era um quadro delicado
Na areia branca, na água mansa, nos barcos ancorados
e até mesmo nela
tudo era mágico
etéreo
harmônico
suave...



Assim passaram-se horas
de um contemplar calado
que eu nunca soube explicar...


De súbito, como uma palavra que aprende a ser falada,
Ela se ergueu,
soltou as cordas de um barco
como quem desfaz um mero laço.
Despreendidamente, ele flutuou,
lentamente,
rumo ao canal
ao encontro do mar.



Na areia branca, a moça de branco
via a vela branca se afastar...
entre o infinito azul do mar
entre o infinito azul do ar
seguindo horizontes
e algum segredo indescritível...


Eu a vi em um disfarce
lavar sua lágrima
nas águas salgadas da lagoa
como quem oferece à distância
um fragmento perdido
ou um elo indivisível...



E então minha alma voltou sorrindo para mim
tão plena, tão lírica
sem mais nada falar
e sem nunca mais, lá, voltar,
feliz por deixar seu verso
navegar livre e tranquilo
nas águas profundas da inspiração...



( Meu coração nunca abadonou aquela menina. E enquanto eu durmo profundamente em noites enluaradas, os pescadores dizem ouvir uma menina a chorar quando as águas da lagoa inundam o mar)

10 comentários:

  1. Carmem....Vou seguir sempre suas andanças por essas trilhas poéticas.
    Mario

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  2. Olá, Carmem... Vim lhe desejar um belo percurso poético.
    Bia

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  3. Espero ansiosamente por mais uma postagem sua.
    Mario

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  4. Onde
    Encontro
    Essa Menina...
    Nessas lagoas desse meu mar...
    Quero que solte
    As amarras deste meu barquinho...
    Para que vá lhe encontrar...

    Quero tomar
    Entre as minhas
    Suas mãos pequenas
    E alí depositar meus sonhos
    Minhas dúvidas e desejos
    E se Ela aquiescer
    Quero ficar... Permanecer...

    Entender seus horizontes...
    Cantar suas cantigas
    Quero amá-la...E ser
    O Anjo em seu dia...
    O vento em seu rosto...
    O carinho onde repouse
    A despedida do dia...

    Quero velar teu sono
    Amando quando despertas
    Não quero que chores...
    Não mais velejarei
    Minha Ancora
    Meu porto
    Sereia...
    Achei...

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  5. Essa
    Menina
    É um porto
    Sem
    Uma ancora...

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  6. Essa Menina é um porto... Que precisa de uma Ancora...

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  7. Essa Menina
    Agora cresceu
    O tempo passou...
    É uma mulher linda
    Feita toda de sonhos...
    Em sua textura original...

    Vive nas águas de seu Mar
    E ele como eu adora seu canto
    Vem seus pés refrescar
    Na tarde quente
    Com carinhos
    E cuidados...

    Sou a ancora que VIVE...
    E depositei-me a seus pés...
    A vejo e admiro é linda
    E continua Menina
    Mas é mulher
    Nem me vê...

    Não sabe
    Ancora eu sou...
    Aqui neste mundo
    Mas em meu Universo sou um SER...

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  8. ELA É POESIA

    É mulher
    Mas é Menina...
    Ela
    É menina
    Mas é Mulher
    Além de Poetisa é Musa...
    É Poesia... E possui
    Uma Lagoa Prateada
    E um Mar para cuidar...
    Além o Mar é um porto...
    Para esse Amor
    Que velejou
    Nas nuvens
    Em seu olhar
    Guardou remos
    Recolheu velas
    Folga à tripulação
    Hoje o quarto dura o dia
    E Ela é o seu sonho inteiro
    O apito toca pedindo
    Licença a embarcar
    Lhe estende a mão
    Ela passa leve
    Nem o chão
    Se aproxima
    É um sonho vero
    E belo tanti sogne
    Adesso i lei voglia cantare
    La voce in tuoi cuore guardia amore
    I un bacio dulce emana sulle
    Loro mani niveas...

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  9. Não
    Sei bem...
    Se naquela
    Manhã Ela foi à lagoa
    Ou a Lagoa se foi até Ela...
    As vezes a realidade
    Não é a mesma
    Ela dormia
    E sonhava
    Ou o sonho a vivia...
    E assim a Lagoa Prateada
    Subiu nos seus sonhos
    Adormecendo...
    Tomou o Lugar
    Da Lua
    E se refletiu
    Em doce realidade...

    É distante
    E se distancía ainda mais
    O barquinho sem amarras
    Num raio de luz
    Deixou o canal
    E viaja
    No céu
    Ao encontro da Amada
    Que nas areias
    De sua Lagoa
    Nos céus
    Olha
    E ilumina com o olhar
    Seu Mar
    E o seu Amado...
    No Leme...
    Na Pedra da Sereia
    Adormecido
    Sonha...

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  10. Além
    Do horizonte...
    Na imensidão estelar
    Vive o meu Amor...

    Em sua Lagoa Prateada
    Enorme nos Céus
    Olha a terra
    Distante
    Azul
    Linda e sente seu Amado
    A sonhar na sua Pedra da Sereia

    Leme... Monte encantado...
    À beira-Mar...
    Quem pode suspeitar
    Que alí mora
    Um Amor grande assim...

    Que nas noites...
    De mar calmo e névoa baixa...
    A Sereia deixa sua Lagoa nos Céus
    E vem até o seu Mar iluminado
    Encontrar o seu Amor...

    Trocam juras e se Amam
    Esquecem sua condição de seres
    O Amor intenso desfaz o tempo, perdoa
    O passado... IMAGIA o futuro
    E, imprime em seus genes
    Todo esse encantamento...

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