domingo, 17 de outubro de 2010

INSOLVÊNCIA


INSOLVÊNCIAS

                                         


Quando a tua palavra

Me procura,

Uma insolvência

Se instala na voz...

 
Traz um embargo

Uma saudade risonha...

Uma tristeza nunca dita...

E uma inadmissível ternura ...

 
A tua palavra e a minha

não se pronunciam...

Mordem a boca

Torturam

Castigam


 
O sentimento

É sempre...

Muito, muito maior

Que a compreensão...

 
Enquanto permaneço

Sem o saber de seu coração,

Nossas palavras que não se confessam

Pecam o silêncio

De um beijo

Jamais correspondido.

domingo, 3 de outubro de 2010

VENHA ME VER, VIDA MINHA

Trago hoje um dueto com  o poeta Walter de Arruda . Embora nossos textos  aqui postados sejam de épocas distintas, parecem responder um ao outro... Segredos da poesia....


VENHA ME VER
                      VIDA MINHA



Walter de Arruda e Carmem Teresa Elias



Venha, venha sim...

Um dia me ver

Venha sim...

 
Não venha cedo

Porque não estarei preparado...

Nem tarde

Porque o tempo

Apagará tua saudade...

 
Venha , venha sim...

Um dia me ver

Venha sim...

 
Venha na hora

Necessária

Quando teu olhar

Percorre forte

O caminho da saudade...

 
Venha, venha sim

Venha...

Venha sim...Um dia me ver...

 
Não vestida de mar

Porque ele é salgado

E faz enjoar...

Nem vestida de azul

Porque és o próprio céu...

 
Venha

Venha sim

Se puder

Vestida de Luz...


Mas venha

Quando o meu coração

Estiver doendo

De tanta vontade de te ver....

 
Venha sim

Venha um dia me ver

Venha sim...

 
Não vestida de preto

Porque lembra infinito

E não vou conseguir

Esperar tanto assim

Dê um tempo

Mas

Venha logo

Venha sim

Vestida de branco, de ar...

Vestida de Amor...

 
Venha

Venha sim

Conter o arrepío

Que tua ausencia

Faz acontecer...

Tua presença sentida

Que não é mais... Que eu...

 
Venha ...

Venha sim...




Em meu sonho...

Venha

Venha... Sim...



(Poesias de Walter de Arruda..1972)



VIDA MINHA



A eternidade tem sempre um novo amanhecer

 
Se eu tiver de te encontrar

Então peço que, logo, me venhas

E que assim o seja

Em uma manhã sem máculas

E sem qualquer juramento...

 
Mas não me venhas

Desmanchando as nuvens...

Entre rosas, azúis ou lilases, tinge-as

Fazendo algazarras entre os vestidos noturnos

Enquanto o alvorecer

Despe as estrelas

E os novos espiritos...

 
Se eu tiver de te encontrar

Serei a nuvem

Entreaberta ao teu sorriso

Cheia de rubor ante à timidez

Diurna da Luz...

 
Serei a mulher

Isenta de milagres... Que aguarda

Suave a tua vinda

Desde a primeira manhã

DA ETERNIDADE...







                                           (POESIA POR CARMEM TERESA ELIAS - 2010)