sábado, 31 de dezembro de 2011

O ANO NOVO CHEGA COMO UM BALÃO

`As vezes , um coração pode até parecer velho...

Pode olhar para o céu e pensar : não se pode tocar as estrelas!
E com saudades, até de alguém ainda não conhece,
Se empolga em mostrar que em tudo existe leveza.

Assim chegou esse ano um balão branco sobre a praia...
Coração acalorado, descrevendo um encontro entre a nova e a velha alma...
Trouxe flores, e emoção para saudar Imenanjá
Palavras, que nem mesmo o mar ainda entende.

Chegou o coração, escondido de Reveillon...
Chegou ofertando ao mundo o que ele mais sabia:
Calor e leveza de quem aprende e ensina

Trouxe as asas de um anjo, o sorriso de um novo menino,
Trouxe o amor com que se prepara a massa de um bolo
E, mais que o mundo, trouxe o toque da mão amiga

O mar e as crianças são os primeiros a lhe sorrirem
Em suas ondas e corridas, o tempo não existe!
E o balão, a se abrir, a subir,
Vai , aos poucos, se despedindo da terra...


Com tanta emoção impedindo a clareza,
Que distinção se pode fazer na lucidez do homem?
É muito pouco o que importa ao Ano Novo, ao Ano velho...

Um coração  renovado se entrega como flor ao mar
Quando ama , aquece e voa, como balão...
Balão branco, Coração, Ano Novo, Criança
Sonho que chega para tocar as estrelas!!!!

 
 

CARMEM TERESA ELIAS E DE MAGELA
FELIZ 2012!!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

LAÇO, FITA, NATAL,FESTÃO


Guardo uma foto de minha filha:

Junto a ela um pé de laranja lima _
Laranja da terra que meu pai plantou !






Poderia ser uma decoração qualquer...
Se ele não me falasse
Do fundo daquele quintal.

Parece difícil explicar para alguém
Que eu gostava de ali ficar,
Imaginando aventuras em outras galáxias,
Ou, então, montado num poderoso alazão.


Era aquele pé magrinho, que ouvia quando a tristeza
Batia-me e, por Beatriz, mais uma lágrima da alma
Saltava-me,
E em seus galhos caía.


Certa vez, era Natal. Todos lá em casa ganharam como presente
Bonecos de Papai Noel. Meu pai, coitado, não tinha imaginação !
Parecia que ele se encantava com aqueles bonecos mais do que poderia .
Parava, comprava, e nos dava com alegria o que parecia lhe fazer feliz.

Meus irmãos agradeciam, mas, logo, deles se desfaziam.
Eu os pedia para mim. Eles morrendo de rir me davam seus bonecos...
Até os gatos sumiam apavorados, talvez imaginando
Coisas que não existiam, enquanto eu colecionava mais fantasias...


Arrumava-os aquela árvore...
Ajeitava em seus galhos aquele bonecos... maiores do que nós !
Alguns até rasgados e incompletos.
E terminava a decoração com bolas , luzes e festão.




A noite, ficava da janela olhando minha arrumação...
Laços e fitas, lima e limão, luz da lua a clarear
Alguém naquela imensidão.
Dava tempo ainda, antes que a gente dormisse,
De repor a Beatriz na lembrança do meu coração.


        Há lembranças que ficam para sempre, transmitidas de geração a geração. Por nossos ancestrais e a nossos filhos e descendentes, que se arrume sempre a Árvore de Natal, como a Árvore da Vida, com alma, sutileza e emoção. Há aqueles que não se importam com símbolos, mas sempre existirão olhinhos atentos que sempre acreditarão em sonhos , e os levarão adiante !



De Magela e Carmem Teresa Elias

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

DEDILHADO


Quando abro meu piano
O que toco e dedilho
É tua melodia em meu corpo

Em pianíssimo me allegro
Pela cadencia harmônica
Em que desliza o tato ao dedilhado

Entre as teclas
Andante apassionato
Sonoros suspiros e pausas

O tom do compasso?
Crescendo
Vivace
Presto

E novo ritmo
Acelero , Sforzando jazz
Spiritoso acorde
Bate junto

Scherzando com me
Tempo, contratempo
Braços, mãos, pernas
Sustenidos!

E no momento da valsa
Grazioso
Súbito leggero
Più leggero .Leggerissimo.

Silencio...
Melodia em êxtase

Erguem-se as mãos do teclado
Marfim e ébano suados
Pedal liberado

O movimento mais sublime
É nossa sinfonia sem tempo e sem fim

Suspiros....aplausos
Repertelo
Da capo al finale!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

PRESTÍGIO COM SEDA

PRESTÍGIO COM SEDA











Prestígio com seda ...
Fim de festa e solidão


Meia fina.
Festa da melhor amiga.
Conto, desconto...
Confesso: Nem sabia o que era!


Lançamento de livro...
Charmosa emoção.
Muitas pessoas e detalhes: estante, tijolo aparente...
Escrevo tanto, quando será minha vez naquele ambiente?


Quadro de parede...
Garrafa de vinho...
Prateleira, pães e queijos.
Cadeira amiga e uma farpa escondida!

Música de talvez:
Violino...
Tudo o que faz pensar em nós.
Aquele aconchego... E nós dois a sós.


Tolices! A vida é palavra cruzada e papel.
Mas, mesmo assim, adorei lembrar o teu sorriso.
Dos teus limites...
De teus olhos tristes olhando o céu.


Lembrando vim andando na calçada...
Prestigio e privilégio em se usar roupa de seda:
É apenas mais um tecido com sede de você, que acanhada
Lanço ao corpo, como se lançasse ao leu.


Calçada...
A meia fina já rasgada...
Sapato dolorido e apertado meu pé.
Sabe como é que é... Tão vazia é a vida sem você!


                                                 De Magela e Carmem Teresa Elias




(Retratamos a nossa homenagem, com carinho e respeito, à escritora Sonia Moura pelo lançamento de seu livro Contos e Contas, em cujos breves textos a autora relata, com pinceladas de precisão, as frustrações da alma humana face aos acontecimentos do cotidiano e o confronto da vida com a morte )





Ambiguidade: há aqueles que escrevem para consolarem suas almas, e há os que escrevem com suas ações, para que elas sejam destruídas.





sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

TUA ALMA É O ENCANTO DA MINHA


A alma também pode ser efêmera...

Como são, as promessas vãs que fazemos a cada momento.
Pode ser tão nua a se contentar apenas...
Com um encantamento.

Esconder beleza, num suspiro de alegria,
Decifrado em palavras bem intencionadas,
Que banham o fundo de nossa calma,
Pela nitidez e leveza com que são faladas.

A intenção sincera do gesto...
É para dizer que a amo tanto,
E que só a intenção de amar basta e sacraliza.

O que pode ser mais infinito do que palavras se despindo...?
E o que pode ser mais brando, que teu olhar a dizer bem mansinho...
Se a tua alma é todo o encanto da minha...?

CARMEM TERESA ELIAS E DE MAGELA

PRIVILÉGIO


Privilégio é quando a natureza se enamora...
Um pássaro que canta para chamar você de volta
Deixando uma pergunta no ar:
Para que ficar nas nuvens se teus segredos passam por aqui?


Privilégio é quando a natureza se enamora...
Mas desdobra num sorriso, porque você irá chegar.
Esquecendo o frio repentino que faz em dezembro
De frente do mar.


Privilegio é o silêncio de uma foto...
Fazendo ir tão longe à solidão,
Que mesmo apertando o vazio
Eu a sinto em meu coração!


Privilegio é poder te amar assim:
Não menos egoístas, nesta indolência honrada,
Onde as manhas nascem azuis, os pássaros ficam distraídos...
E de ti, eu me enamoro, parecendo perder o juízo.



De Magela e Carmem Teresa Elias
Há caminhos que só o amor responde...











Das geleiras às primeiras corredeiras,
um pequeno rio faz julgo ao seu corpo.
Onde a pele da terra só pode ser escondida pelo leito das águas,
lá naquele pequeno mundo, o primeiro momento de um amor aflora.


Na natureza e no coração do homem
a diferença será sempre a intenção.
Pois, é da neve que se solta
o desejo mais ardente do verão.


E da noite em que se toca a transparência mais aquosa que se investem as mãos,
envolve-se a montanha... A seguir a explosão!
Serpenteiam os desfiladeiros enquanto aos beijos, os vales pecam o pecado dos céus...
É que há em tudo uma contradição: que afeta longe...




Qual nuvens altas sob os pés o curso do rio chega ao fim.
Dá-se a montanha por vencida! Mas um desejo leva a outro...
e outro e outro....
e, ao longe, uma enseada indaga um rio: Onde estão as águas que ao mar completam mas também não bastam?


Há coisas que são tão próximas que se pode tocar.
Outras são possíveis, mas há que se valer de grande esforço
Há caminhos que só o amor responde, com a humildade de nunca questionar
as águas das chuvas, dos rios, dos mares e do seu olhar...

O TEU BEIJO LEVA A OUTRO, E OUTRO E OUTRO...

O teu desejo leva a outro e outro...






“Sete necessidades são básicas,”
Disse o filósofo.
Mas não explicou, por que um desejo leva a outro...
Por que te desmereço num olhar imemorável.


Anima e animus...
Segredo no meu gosto!
Tudo o que quero trago claro no rosto
Mas tenho medo de dar-te o desgosto.


Preciso do teu café...
Se ele for a explicação do que vejo
Deve haver naturalidade, num sorrir de verdade
E não no doce do teu beijo!


Brinda com ele a fé que há no inverno...
Porque o desejo do teu doce leva a outro, e outro, e outro...
De repensá-lo, posso gozar neste teu céu...
E conhecer o teu inferno.

Carmem Teresa Elias e De Magela

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

COMPREI ROSAS, POSSO TE DEDICAR UMA?

Comprei rosas, posso te dedicar uma...?






Comprei rosas amarelas, meio desajeitado...
Qual cor você gosta? Ela riu como se fosse um verso.
Aquela rima que vem envolta de claridade, cheia do receio de voar,
E que repentinamente se solta.




As rosas eram doces e sem iguais.
Não escondo o que sinto, o carinho que me aflige
Entre os espinhos que vou abraçando...
Despindo das dores o dizer de jamais!




Agora o acaso é meu...
Acordar de madrugada e te pensar na água fria do mar.
Jogar as rosas... Dizer algo além da saudade.
Mostrar que o meu carinho é maior do que se possa pensar.




Se nasce assim desajeitado...
Se rima com teu verso...
Se comprovo abraçando a madrugada...
É porque te adoro mais que a dor do verdadeiro amor!



De Magela e Carmem Teresa Elias