segunda-feira, 10 de setembro de 2012

AO POETA FERREIRA GULLAR


 

 
HOMENAGEM A FERREIRA GULLAR

 

É preciso

Sujar-se de mundo

Para saber dizer

Quão vivo ainda se está

E ser capaz de achar

Alguma poesia

No submundo que é a morte de um filho

 

Ao invés de chorar e calar,

É preciso perdoar a palavras

Porque elas não levam ao exílio concreto

A que um país pode enterrar seus filhos

E nem torturam,  como a morte tortura de ausência

O pai que dá adeus ao seu filho.

 

Acontece que, uma vez sujo de vida e de mundo,

Aprende-se a perdoar a própria poesia

E, ao invés de chorar ou calar,

Ergue-se o  homem com ela

Para dizer que nesse mundo sujo

Só ela é capaz de viver e perdoar.

 CARMEM TERESA ELIAS

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