domingo, 30 de dezembro de 2012

O ANO NOVO É UM BALÃO BRANCO EM TUAS MÃOS


 

Ciente de ter aprendido e ensinado com o amor

 O coração foi conversar com o mar...

E também levar flores

Para saudar Iemanjá

 

Empolgado por mostrar  que em tudo existe uma leveza

Queria uma resposta de volta,

Uma esperança, um alívio, um sinal

Por se lembrar de ti, assim como eu...

 

Chegou, escondido de Reveillon ...

Dobradinho, amassado, como um balão branco ainda estendido no chão

Retribuindo  ao mar o que ele mais sabia:

Leveza e calor!

 

O mar sorriu :

Não se pode tocar estrelas,

Mas é possível descrever com alma

Toda gratidão que se sente.

 

Para as ondas, tempo não existe!

E como se sentisse saudade de alguém que nem conhece, mas sente, e  entende,

O coração foi se despedindo  da terra...

Balão branco que se abriu, inflou, evaporou....

 

Ano novo, Ano Velho

Que distinção fazer na lucidez do homem?

Para o tempo e o mar, a flor branca a se ofertar

É criança que voa, Coração que aquece e ama.

 

Nesta noite de Reveillon

Meu coração gostaria de tocar tua mão,

 Como um amigo:  como Alguém que faz mais pelo mundo

Ou como alguém que, simplesmente, se lembrou de ti ...

 

FELIZ 2013!!!

 

Carmem Teresa Elias e De Magela

terça-feira, 25 de dezembro de 2012


Pensei em um Natal assim

 

 

Pensei em um Natal diferente para nós...

Diferente. Não como um investimento de todos os anos,

Com a correria das compras e uma lista de chamada.

Pensei em te ver sorrir.

 

De que serviria a esperança de pagar todas as despesas?

De que serviria enfeitar a fachada da casa?

De que serviria trocar o enxoval e

Guarnecer a dispensa e a mesa?

 

De que me serviria acreditar em Papai Noel

Se não fossem meus olhos desembrulhar

Todas as ilusões?

E tendo minhas mãos vazias de ti...

Vazias do teu abraço e do teu sorriso.

 

Não quero outro Natal assim!

Quero a alegria saindo da fantasia...

Quero mais um tanto de crianças sorrindo...

Te quero bem perto, pra ver esta noite sorrir!

 

 

Carmem Teresa Elias e De Magela

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O QUE RESTOU DE PURO DO MUNDO


O QUE RESTOU DE PURO NO MUNDO

 

Diariamente ele saía

Surgia como inspiração

Ou ilusão:

Vestido de cores vibrantes

Vestido do vermelho e do branco.

 

Importava-lhe, sim, as cores

De uma, a vibração, a energia, a vida e a veemência

Porém, era do branco que lhe revestia as mãos que ele mais se dignificava...

A brancura absoluta das luvas, a brancura absoluta de espaços

Cobrindo a palidez insuflada sob a pele.

 

O branco, pensava, não se pode sujar,

E a palidez, bem, as luvas escondem...

 

Aqueles dias eram feitos de Tempo:

Havia gritos eufóricos, sorrisos, alegrias, gestos de crianças...

“ Mãe, lá está o papai Noel!”

E ele , logo, perguntava:

“O que você deseja , meu filho?”

“ Um i-pod”

Ele ria : modernidade indecifrável, pensava.

E olhava nos olhos das mães

Palidamente,

Indagando se poderia confirmar aos pequeninos

O recebimento do ‘ carinho’...

 

Papai Noel tem momentos assim

Em que não sabe o que responder a uma criança...

Mas suas mãos são tão puras, tão brancas,

Capazes de conceder espaço a tanta ternura

Que manchas de sujeira nos dedos das luvas

Justificam horas a esfregar, lavar, ensaboar, escovar...

 

Garantiu-se ao velhinho um mês integral de trabalho digno

Uma bênção humana a um velho desempregado

Uma bênção crística de voltar a estar e ser entre  crianças

 

 Mas na noite de Natal

O shopping não abre

Papai Noel pode voltar para casa de vez:

Desemprego,

Velhice,

Solidão

Abandono de cadeiras vazias e ceia, enfim farta, pelo fruto trabalhado.

 

A palidez de tudo que finda treme pelas mãos

Suja-lhe  de ausência a  veemência da vida.

Última noite

Resta a lembrança de seus olhos indagando às mães

O recebimento de carinho:

 

O menino recém nascido,  ainda na brancura do céu,

Também deve ter momentos assim

Em que olha  olhos pálidos e idosos

E não sabe o que responder a Papai Noel...

 

 

(Ao pisarmos neste mundo, só encontramos pureza. Nós mesmos somos fruto dessa absoluta pureza. E só estaremos vivos, se o sorriso de uma criança nos embarcar em eterna viagem.)

 

 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A SAUDADE É UMA CRIANÇA


A saudade é uma criança

 

Assamos o pernil.

 Gelamos o champagne e postamos a mesa,

Como se fosse uma oração...

 Poesia de Natal, talvez, mas foi que Deus serviu.

 

Adulei as crianças!

 Sorri mais do que devia...!

 Corri pelos cômodos da casa...

 A procura de mais ternura e emoção.

 

Tive em mim mais um pecado: a ansiedade

 Por ver aqueles rostos se alegrarem mais uma vez!

 Por ver os mais velhos soltarem suas lágrimas,

 Como se estivessem alimentando-se de perdão.

 

E por dentro, a cada laço que destrançava dos presentes...

 Abraçava-te em cada um deles. Na boca o gosto do creme de avelã e panetone

 Misturado ao peru assado, servido com frutas em caldas...

 Para adoçar uma imensa saudade.

 

O olhar perdido junto a arvore de Natal, para lembrar-te dizendo:

 Não haverá caixa fechada que um sorriso não abra.

 E, depois de aberto, uma voz de longe vir respondendo:

A saudade ainda é criança e com presente se encanta!

 

De Magela e Carmem Teresa Elias.

 

(Não somos os seus poetas, mas apenas crianças. Em quatro anos, mais de 1500 textos em parcerias. Uns descrevendo o amor impossível, o amor possível, metáforas e personificações... Outros explorando as faces de um cotidiano. Por serem tantos, separamos cem e denominamos os achados em: "Poesia do Baú". O texto acima trata do Natal e marca a época em que brigamos por causa de um virus no computador. Ela achando que fui eu o culpado é claro! O ensejo terminou com esses versos de paz). Mais uma vez agradecemos a oportunidade e a participação de nossos leitores. Mesmo que não haja presentes, não se esqueça: é Natal. Feliz Natal!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

QUANDO O GUERREIRO CEDE


Quando o guerreiro cede

 

O acaso e o amor...

 Sombra doce que vaga a procura de campos e flores,

 Da chuva que só acontece na alma...

 E se eu te amar agora; é acaso. Mas se casar contigo é destino!

 

Destino é o senhor de tudo.

 Grande guerreiro que com nada se importa...

 Despreza momentos de fraqueza e solidão.

 Valoriza o que consigo dominar em meu coração!

 

Para alguns, acaso, destino e amor são coisas que vivem escondidas!

 Não tendo rumo certo, necessitam de alguém que os viva;

 Efeito natureza, na existência escondida.

 

É quando o guerreiro despreza, luta, perde e cede...

 Ficaria meu amor a se vangloriar, por dominar essa guerra...

 De acaso, do destino e da vida?

 

De Magela/Carmem Teresa Elias

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

LUCIDEZ DAS ÁGUAS


 
 
Quando o estado de união acaba

 Primeiro parte-se uma realidade em duas

 Findam-se as comparações entre dias e poesias

 E perde-se a razão das chuvas e das metafóricas luas.

 

 A cumplicidade ,em sonho ou ilusão,

 É só mais uma metáfora de chuva:

 O estado lúcido das águas ...

 Brilho suave sobre a terra, ou destruição fatal

 

Mas a solidão faz o homem preferir as luas

 Os sentidos impossíveis, as companhias noturnas

 A indistinção dos sonhos e pesadelos

 A pressa e a lentidão similares dos encontros enfadonhos

 

No meu entendimento de amor

 Chuva fina e raio de luar

 São comparações como dizer te quero em vida e também em fantasia:

 Completude que jamais se rasga em duas

 

Até o triste dia em que um desentende o sentido...e do amor

Sobram-se as metáforas

 Divididas, rasgadas e incompreendidas

Nascendo como minha não poesia.

 

Carmem Teresa Elias

BENÇÃO

 

Vivo em mundo vago

Proclamando incertezas ...tulipas negras !!

Melhor ser livre, sem sentidos estabelecidos, sem clareza.

Vivo sem você e de saudades acho até que até a saudade já morreu.

 

Parece inconsequente, apresentar-me assim

Reclamando sua ausência

É aí que apelo aos títulos, grandiosos,

Buscando raridades na beleza maiúscula das tulipas

 

Flores que nunca vi

Amor que nunca vivi

Corpo, conteúdo, diferenciação !

Fazendo poesia da inconveniência da solidão!!

 

O que quero é falar de amor

Do meu amor

Por demais igual...

Imenso, pequeno, feio , bonito, igual a todos.

 

Amor igual a qualquer jardim

Junto a margaridas, rosas, pinhas e marmelos

Para que não se pense que esqueci a nuance especial da solidão da tulipa

Para que não se pense que eu não estou só  por ali...

 

Lendo, escrevendo, traduzindo lugares

Para não fugir jamais do lado seu

Para que a primavera não me prenda em Holandas

Para que a chuva não se atenha a vidraças

Para que o amor não se crie em metáforas,

Proclamo incertezas

Como em benção se  proclama  o corpo e a alma do amor !!!

 

Carmem Teresa Elias e Roma Magela

 

VELAS ACESAS, GARRAFAS VAZIAS

 

 

É por metaforas que escrevo sonhos para nós.

 Crio lugares...!

 Desenho na sutileza de um amor

 O que só se traduz nessa entrega.

 

 Velas acesas em garrafas vazias de vinho...

 E nem uma chance do teu sorriso.

 Só restando a certeza...

 Escrever sobre tudo, omitindo a clareza.

 

 Metáforas para realçar tua beleza!

 No amor, alguns fogem do que é trivial

 Fugindo do sentimento, nao sabem

 Que nessa benção que se mantém a leveza.

 

 Por te amar, meu coração cria os ventos frios

 Nas noites solitárias de murmúrio do luar...

 E por metáforas vou seguindo

 Até o amor se acabar.

 

 

 

CARMEM TERESA ELIAS   / ROMA MAGELA