terça-feira, 19 de junho de 2012

CHUÁ

Em tempos de RIO Mais 20...


Chuá





Uma cachoeira, como o desejo, pode se lançar extenuante ao seu final

Ou, como o amor, pode necessitar de três tombos antes de magoar

De longe, aquelas águas, são coisas belas,

E, juntando com o canto dos pássaros, ruídos silvestres, pequenos animais,

Submete-se, em lágrimas, a alma ao que não se sentirá jamais!



É no silêncio que o amor se desfaz.

Silencio dos rios sem o arrepio de seu braços

Raios de sol despencando e querendo reluzir

Com a mesma aflição das águas querendo seu corpo seduzir

E pedras se amontoando, banhando seus risos inteiriços a rolar...



E a cada queda que se ouça o canto

A primeira dor demonstra a insegurança que há naquele olhar...

Águas ainda fracas,ao cair, arrastam olhos atrevidos que por ali ficavam.



A segunda queda do amor despenca por encostas,

Arrasta consigo a dor do medo, a proteção, o respeito

Até parar na superfície de um lago onde se confundem

Amor e desejo no artificio entre seus beijos,



A terceira queda repõe o silêncio

Mágoa e dor ...Areia, fundo macio e branco para tocar teus segredos

Destino que esconde o amor, rio que retoma o curso...



No amor, as lágrimas que choro entendem as cachoeiras.

Para não dizer o como vivo quando te deixo, elas seguem o teu rumo

Caem em pequenos tombos, levando o que de nós ainda insiste por lembrar...

Canto triste das matas, rios e de uma cachoeira abraçando seu final: Até a dor do adeus é superficial..



Carmem Teresa Elias e De Magela

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