sexta-feira, 23 de março de 2012

CAMUFLADA




Me atraia caçando erros

Use armas abstratas para dizer que do amor não entendo nada
Use sua filosofia das baratas para dizer que absurdo é continuar assim
Transmutando a saudade em asas para ainda sonhar .

Deve ser mesmo um erro querer te esquecer!
Criar uma ilusão para guerrear contra a solidão..
Campo minado entre meus versos
Sua voz misturando veneno ao exagero
E eu pedindo desculpas para explicar que o amor não tem jeito.

É que a loucura me faz arrancar a pele
Para explicar ao sol que o amor também arde
Faz com que eu puxe as orelhas
Para ouvir do silêncio que amor não se diz por palavras
Faz com que, abandonado de pensamentos, eu sofra com a alegria de ver seus olhos blindados.

Vamos, atraia-me caçando erros
Vasculhe a armadilha da incoerência sutil
Negue .
Sofisme.
Faça com que eu acabe no erro de querer te esquecer

Insista na luta até o fundo da dor
E quando eu estiver morto ou vencido
Transforme a saudade em acerto, a arma em beijo
Perdoe todo o meu erro
E diga que o amor é nossa alma camuflada.

terça-feira, 20 de março de 2012

A MELHOR FORTUNA É ACORDAR


Das recordações que tenho, há tanta coisa que quero te contar...

Como a de ver um dia raiar no mar
E aprender que do outro lado do horizonte,
Apenas as águas o acompanharão...

Ainda me resta a empolgação da manhã
Quando parece haver tempo para alinhar as ideias.
Mas logo o dia nos pergunta alguma coisa
E é preciso ordenar palavras como se faz com as horas .

Há uma chance única de uma dia se repetir no mar
Às vezes o céu e as águas parecem tão iguais!...
Não irei negar que adoraria não ser perspicaz:

Fingir não distinguir as colorações das nuvens ou as sutilezas das ondas
Dissipar sentidos em que correm as marés
E reviver esse conto sem que se chegue a um final





É que antes mesmo de embarcar antecipava a despedida:
Via-me à tarde em Copacabana, no Posto Cinco,
Olhando outros navios passarem.
Hora em que o sol se deita no aposento mais longínquo do mar:

De que serve o horizonte senão para sonhar?
É para lá que todo dia se vai:
Virar recordação na história do mar

Assim também eu sigo, a sonhar
Vela que se vai ao longe
Mente que se vai longe ...
Terra que se nega a ficar em terra

O marulho do mar, a decoração do navio, os ambientes a bordo
Um trio argentino tocando tango no piano bar...Entendiam meu pedido :
Uma milonga se toca para encantar uma mulher e, também,  os anjos!
Pelos salões... música afinal!

Das recordações que tenho, há tanta coisa que quero te contar...
Como a de ver um dia se apagar no mar
E aprender que nem as águas o seguirão.


As hélices submersas e as ondas se empolgam a chacoalhar
Jantares festivos e bem animados em que levantamos
Da mesa e começamos a dançar com uma mesma empolgação...!
É que as pessoas enfeitiçadas a nós se ajuntavam.

Havia ali momentos que não deveriam ter fim.
O mar não necessita da terra...
E as estrelas que brilham, sobre o mar à noite
São muito mais estrelas que em qualquer outro lugar

Desembarcar foi difícil...
Atracar pela manhã e
Logo de tarde ver novas pessoas seguindo para repetirem a mesma emoção!

Das recordações que eu tenho
Há tanta coisa que eu queria te contar...
Mas a melhor Fortuna é acordar
A flutuar aqui nesta espera por horas que não tenham fim.



Carmem Teresa Elias e De Magela
 Fotos de Copacabana  de autoria de  Carmem Teresa Elias

quinta-feira, 1 de março de 2012

É METAFÍSICA DEMAIS !



Bem me lembro de tudo: falávamos em foco...

Gravei a palavra e o sentido.
Mas, vivia pensando em me permitir
Direções outras para sentir.

Testava experimentos com uma luneta...
Estudos e aplicações para ampliar as óticas
Foco, as distorções da lente, o distanciamento das imagens...
Observar o céu requer essa física confusa!
Quando olho os corpos celestes só me lembro de você e de poesia!
Junto tudo: termo, foco, céu e o conceito de idéias,
Há tantas coisas em nós que vão além da física ! Ironia...
A vida é sempre um questionamento, do quase-sem-hora a um novo problema

Mais se quiser, fica mais claro assim:
Quando estamos próximos, fazendo tudo juntos...
Compreendo outros mundos ...E quando sinto que falo muito
É porque você está cada vez mais perto de mim.

Desespero é tentar te escrever! Teorizar! Buscar hipóteses!
Quero saber mais, sim, desde que nisso exista você...
Sua caverna, sua tristeza, sua escolha e sua paz!
Ao extremo que confunde tudo, admito, entender você é metafísica demais!





(Criticar texto com uma parceira exigente demais...

Além de ela estar filosófica, dizia com olhar de navegante que não podia perder o foco. Brigamos. Que foco que nada! É metafísica demais; poesia e coisa abstrata


De Magela e Carmem Teresa Elias